Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

CORTES DE ALVARES - regresso às origens

   O empobrecimento económico do país e a falta de qualificação profissional dos nossos jovens, associado à mentalidade dos seus progenitores em quererem que os seus filhos obtenham um qualquer curso superior a que preço for e, sobretudo, à grande falta de visão dos nossos governantes e ao aproveitamento daqueles que sob a égide dos partidos políticos enriquecem ilicitamente à custa do trabalho dos outros, leva-nos a crer que nos próximos dez anos os portugueses vão passar pelo “síndroma” do regresso às origens .

       Pois é !... Entrámos na época das “vacas magras” e a corrida da população para o Interior vai começar, com a máquina do tempo a viajar para o ano 1950 .

       As nossas aldeias vão ficar cheias de gente a cultivar os seus minifúndios. Os montes e vales voltam a florir e a ficarem verdejantes com a cultura do milho de rega e da batata, com o plantio dos feijoeiros, tomateiros, das couves e alfaces. Será um regalo, vermos o nosso pinhal tratado e conservado, com os resineiros a correr de um lado para o outro a colher a resina que brota dos pinheiros para o fabrico dos produtos seus derivados, e as pessoas a cortar e a levar o mato para os currais das ovelhas, das cabras, dos porcos e dos galinheiros, a fim dos animais fazerem estrume para as terras de cultivo. E, os homens e as mulheres a apostarem qual deles corta a melhor paveia, leva o maior molho de mato e a maior cesta de estrume para as hortas .

       Já estamos a ver os castanheiros, as pereiras, as macieiras, os marmeleiros e os silvados, a darem bons frutos para os alimentares das casas. As videiras a serem podadas e curadas para darem boas uvas e produzirem o vinho e a aguardente nos alambiques preparados para o efeito. Surge a limpeza dos balceiros, dos pipos e das pipas, para o acondicionamento da bela pinga. Os homens e as mulheres arregaçam as roupas para pisarem os cachos e as adegas entram em delírio com toda esta azáfama .

       A dinâmica da desfolhada do milho de rega, a sua secagem e apanha, o seu descamisar nos currais ou locais afins, a sua malhada e o seu descasular nas eiras, vai criar movimento, convívio e entreajuda laboral entre os populares das aldeias. A palha do milho volta a refastelar o estômago dos animais domésticos e a encher os colchões e as enxergas das camas .

       Os jovens, nos seus tempos livres de escola, também ajudam nas actividades domésticas e agrícolas, contribuindo para o seu sustento e subsistência da casa. Outros jovens, com melhores possibilidades económicas, quando chegam de férias, é vê-los a calcorrear o pinhal na procura de lenha e enchendo o saco de pinhas, para alimentar as lareiras na cozedura dos alimentos e aquecimento durante o Inverno. É vê-los contentes a transportar os produtos agrícolas às costas ou conduzindo as carroças puxadas por bois ou por burros e mulas .

       É óbvio que este manuscrito não passa de uma criação imaginária do seu autor, porque é sabido que o progresso tecnológico tem contribuído para o nível e qualidade de vida das populações ao longo dos tempos .

      O futuro que se vislumbra para os portugueses  nos próximos anos não será risonho, medidas duras vêm a caminho e as ajudas externas vão-se suceder, se as políticas nas várias vertentes do crescimento económico não forem inovadoras e a nossa mentalidade tacanha não se alterar.

       A formação técnico-profissional dos jovens a partir dos 13 anos de idade nas escolas públicas é fundamental para o desenvolvimento tecnológico das empresas e incremento do mercado de emprego. A existência de um mercado de arrendamento da habitação amplo e consistente e uma política de remunerações mais equilibrada com promoções de acordo com a competência profissional dos trabalhadores, também é necessário. Como é necessário haver uma boa máquina e justiça fiscal que penalize os que não cumprem com os seus deveres de cidadania e, outrossim, uma justiça mais credível contra os corruptos e corruptores .

                                                                           

                                                                       Eng.  CARLOS  TOMÉ

publicado por cmcortes às 22:36

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